Escrevo mais para mim que para alguém em especial... porque me reconheço no que escrevo e porque escrever faz parte de mim
Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
Dia 1 - quando os problemas começam

3 de Dezembro de 2013, 6h30

 

      Ann Claire cumpriu, nesse dia, a mesma rotina pontual que a levava a levantar-se todos os dias às 6:30, vestir rapidamente um fato de treino justo e fazer uma festa rápida na dourada cabeça de Ruffles, o seu Golden Retriever, para fazer, de seguida, jogging no Parque da Cidade perto do duplex que possuía na melhor zona da cidade; regressava a casa às 7:30 para tomar um banho de dez precisos minutos e tomar um completo pequeno-almoço de tostas com manteiga, café com leite, sumo de fruta variada e, por vezes, alguns cereais, quando o apetite assim exigia. Era tudo preparado com tempo e pontualidade por Regina, a velha empregada de Ann, uma senhora forte, atenciosa e atenta aos pormenores.

      Ann saiu de casa, como sempre, por volta das 8:00, conduzindo o seu BMW desportivo e prateado pelas sinuosas e labirínticas ruas da movimentada cidade. Enquanto olhava para a o táxi à sua frente, à espera que avançasse ao sinal verde do semáforo, – deitando também, rápida e impacientemente, um olhar para o elegante Timex no pulso esquerdo – Ann clicou nalguns botões do telemóvel topo de gama e colocou-o, em seguida, no suporte próprio para telemóveis afixado no tablier do carro.

O aparelho emitiu, em alta voz, o típico som de chamada que aguardava por ser atendida. Quando tal se verificou, ouviu-se o típico clique e Ann, concentrada, falou de imediato:

– Magie, o doutor Connwell já ligou para aí?

– Bom dia! Claro que passei uma boa noite e que estou fina que nem um pêro, chefinha! – Denotava-se, pelo tom de voz de Magda, que deveria ostentar um sorriso compreensivo e, simultaneamente, irónico, naquele momento. Afinal, conhecia Ann há mais de doze anos e sabia perfeitamente que ela era viciada em trabalho.

– Desculpa, tens razão. Bom dia. Mas bolas, Magie, quantas vezes preciso de te pedir que não me chames isso?! – Respondeu Ann, carregando no acelerador quando o táxi, à sua frente, finalmente arrancou.

– Bem, bem… alguém acordou bem-disposta hoje, hein? – Riu-se Magda, irónica – Então, conta lá… o que foi desta vez? A Regina esqueceu-se de passar uma camisa a ferro ou foi aquele janota do parque que costumas ver a fazer jogging que não apareceu?

– Juro, Magie, que não entendo como consegues dizer este tipo de piadas às 8:12 da manhã… E não, o janota não estava lá, mas isso agora não importa nada, porque estou a ligar para saber se o Doutor Connwell já contactou o escritório, hoje.

– Pois, como se fosse possível estares a ligar-me para falar de outra coisa que não fosse trabalho… enfim! – Exclamou Magie, fingindo um suspiro afectado. – Não, o doutor não ligou, deve, provavelmente, estar a fazer aquilo que me apetecia neste momento… deve estar na cama, a dormir! Caramba, Annie, são 8:12 da manhã, tu própria o disseste. O homem ainda vai dormir até às 11:00, senão mais, escreve o que eu te digo…

– Oh, nestes dias complicadíssimos? E agora que estamos tão próximos do produto final? Duvido. – Devolveu Ann, revoltada contra o facto de haver trabalhadores que pudessem sequer pensar em iniciar o dia de trabalho depois das 9.00 da manhã.

– Mas ouve… quem ligou foi o Matt… quer saber onde andas, diz que passou ontem o dia inteiro sem a noiva amada! Pobre rapaz, Annie. Mais umas horas sem admirar a beleza da tua pessoa e, provavelmente, morre.

– Ai, Magie, que exagero… já lhe expliquei montes de vezes que tenho trabalho para fazer e que este é dos meses mais trabalhosos do ano… ele vai ter de esperar! Se o doutor ligar, diz-lhe para ir para o escritório, para falarmos pessoalmente e avisa-me. Antes de ir para aí ainda vou passar por casa da minha mãe, para ver se está melhor da gripe. Já agora, telefona para a florista, por favor, e manda um ramo de rosas amarelas para lá.

– De acordo, e Annie!... – Chamou Magda, antes que a amiga desligasse. – Não te esqueças da festa desta noite, com aquele indiano Aidan Kanishka. – Lembrou a assistente, provocando um virar de olhos contrariado por parte de Ann. Como que adivinhando, Magie admoestou – Não há mas nem meio mas, não vale a pena revirares os olhos e pensares em maneiras de te safares da festa, porque já confirmei a tua presença. De qualquer modo e segundo o convite que ele mandou, vai ser uma noite inesquecível, com uma surpresa dedicada a ti à mistura.

Despedindo-se, ambas desligaram os aparelhos, ainda inconscientes da importância que essa noite teria nas suas vidas. Essa era a noite em que a Vontade falava mais alto e em que nada do que conheciam voltaria, jamais, a ser igual.

O que achas que poderá afectar a vida desta bem-sucedida empresária?


o que consta: ,

escrito por Palavreadora às 19:36
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