Escrevo mais para mim que para alguém em especial... porque me reconheço no que escrevo e porque escrever faz parte de mim
Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007
O e-mail

 3 de Dezembro de 2013, 18h30

 

Ann estava com pouca ou mesmo nenhuma vontade de ir ao convívio, à noite. Passara o dia no escritório e certas coisas que haviam acontecido contribuíram para lhe ferver os nervos, já de si tão sensíveis, nesta altura trabalhosa – o doutor Connwell, inclusivamente, e tal como Magie previra, só contactara a sua assistente por volta das 12:15 e o trabalho de que ficara incumbido não estava nem próximo do fim.

Ao regressar a casa, por volta das 18:30, Ann despiu o fato e dispensou alguns minutos e uma boa quantidade de mimo a Ruffles, após o que tomou um duche rápido. Mais aliviada do stress desse dia, dirigiu-se ao quarto e reparou que Regina colocara na cama, com todo o cuidado, o longo vestido vermelho, sem alças, que usaria nessa noite, ao jantar, bem como a mala e os sapatos a condizer que Magie havia encomendado dias antes a uma estilista jovem e talentosa em rápida ascensão.

Ainda de toalha à volta do corpo, dirigiu-se ao computador portátil moderno que repousava no escritório contíguo ao quarto. A máquina emitiu os sons musicais habituais, ao ligar e exigir a palavra-chave que permitiria aceder ao ambiente de trabalho.

Enquanto Ann esfregava vigorosamente o cabelo molhado, o aparelho alertou-a com um sonoro apito da chegada de mensagens novas ao correio electrónico. Carregando numa série de teclas que lhe permitiram aceder à sua conta, Ann emitiu um suspiro quando observou a caixa de entrada com 7 mensagens novas, 3 delas do seu noivo Matt – cada vez mais aborrecido com o facto de não ver Ann há dois dias – e uma de um site qualquer sobre o Harry Potter que Kyla, a sua sobrinha de 13 anos – filha da sua irmã mais nova, Maria – devia ter consultado na sua ausência. Duas outras mensagens constavam do que Ann costumava apelidar de lixo virtual, pelo que as apagou de imediato.

A última mensagem não tinha o assunto explicitado. Aparentemente, tinha sido enviado apenas para ela pelo autor de um blog que ela nunca tinha visitado – começou a pensar que deveria ter uma conversa séria com Kyla sobre as navegações que fazia no seu computador.

        Ao abrir a mensagem, ficou, desde logo, espantada com a saudação inicial do autor do blog. Aparentemente, Kyla não tinha nada a ver com o assunto.

 

 

 

 

 

Cara Ann Claire,

 

Não deve, provavelmente, conhecer-me nem ao meu trabalho. Chamo-me Greg Marshall e sou o criador de um blog e de um site, bem como autor de diversos livros, sobre previsões do futuro e leituras de vibrações relativas a factos do passado, lidas através de medidas pouco convencionais, ou seja, através de medidas que nada têm a ver com as tradicionais cartas de Tarot e bolas de cristal, mas sim com métodos científicos ainda em estudo. Peço-lhe, antes de mais nada, que não apague esta mensagem antes de a ler até ao fim. Não estou, de modo nenhum, a fazer pouco de si.

 

 

Sou irmão do falecido Alexander Marshall, que conheceu, se não me engano, desde os seus 7 anos de idade até à data da morte de Alex (no dia 9 de Novembro de 2006, ou seja, no dia em que completava 18 anos), portanto, até aos seus próprios 17 anos.

 

 

 

 

 

Ann sentiu, neste momento, um baque no coração – se é que era possível que o seu coração continuasse no seu peito depois da recordação daquele nome: Alexander. Teve uma repentina necessidade de se sentar – aparentemente, as suas pernas não tencionavam obedecer-lhe mais. O e-mail continuava.

 

 

Repito o que disse anteriormente: isto não é nem pretende ser uma brincadeira de mau gosto.

 

Gostaria, apenas, de poder dizer-lhe algo que descobri hoje de manhã. É algo relativamente perturbador, sobre algo que se poderá passar, se não me engano, ainda esta noite e que, se não for controlado, poderá alterar certos percursos naturais do fluxo do tempo, implicando, inclusivamente, algo relacionado com a morte de Alex. Sei que parece complicado de entender, mas agradeceria que pudesse telefonar-me, o mais rápido possível, para o número que indicarei depois, a fim de poder explicar tudo o melhor possível. Penso ser justo dizer que se trata de uma emergência.

 

Agradecido, desde já, pelo seu tempo e com os melhores cumprimentos,

 

Greg Marshall

 

 

A mensagem continha, ainda, os números de telefone de Greg, tanto de casa, como de telemóvel e do trabalho. No fim, seguia-se um Post Scriptum que não contribuiu, em nada, para acalmar os tremores que haviam surgido nas mãos de Ann que, a esta altura, estava prestes a deixar correr grossas lágrimas de desespero e profunda tristeza, ante as recordações que pensara estarem esquecidas.

 

 

P.S.: Por favor, contacte-me mesmo. No entanto, para o caso de não poder telefonar-me hoje, aceda, pelo menos, a um pedido meu, por muito estranho que lhe possa parecer: segundo os dados que obtive, vai estar presente, hoje, numa festa ou num jantar que envolverá bastante gente. Peço-lhe que não vá, pelas razões, ainda que pouco claras, que supracitei. Ainda não se tornaram específicas, para mim, as implicações que a sua presença nesse jantar, excepto num ponto: a sua participação poderá tornar-se perigosa, e, lamento dizê-lo, talvez não só para si e para a sua vida, mas também para a vida daqueles que a rodeiam.

 

O que achas que se pode passar no jantar que tornará a participação de Ann perigosa?


o que consta: ,

escrito por Palavreadora às 20:09
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2 comentários:
De Ana a 6 de Setembro de 2007 às 22:57
Epa, lá se vai a minha teoria da paixão à primeira vista por uns abdominais perfeitos :P

Bem o que vai acontecer?....é que não faço a mínima das ideias!
Talvez alguém com muita inveja do sucesso alcançado por Ann lhe deite uma substância menos desejada na sua bebida e ...ups lá vai pelo mesmo caminho que o Alexander (quer dizer não sei se ele morreu por causas naturais, mas não me lembro assim de mais nada :S).


De Palavreadora a 7 de Setembro de 2007 às 14:36
Bem! Andamos a ver muitos CSIs, não é? Esta de ameaçares a vida da pobre rapariga com um veneno na bebida só porque a rapariga é bem-sucedida... bolas! :)

Mas a ideia é fantástica, dava mesmo para desenvolver algo de jeito a partir daí.

Felizmente, no entanto, não estou a pensar matar a Ann, coitada. Mas para saberes... é claro que terás de eperar! Muahahaha! :)))


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