Escrevo mais para mim que para alguém em especial... porque me reconheço no que escrevo e porque escrever faz parte de mim
Terça-feira, 11 de Setembro de 2007
Indecisão

3 de Dezembro de 2013, 20h30

– Isto é um absurdo. Andam a brincar connosco, só pode. E garanto-te, Magie, que não estou a achar piada nenhuma! Quem quer que seja que está a fazer isto vai pagá-las caro, ai podes crer que vai!

Ann andava há um quarto de hora de um lado para o outro, no quarto, resmungando. De vez em quando ouviam-se as palavras “processá-los”, “tribunal”, “enorme desplante” e “ai vão pagá-las, vão!”. Magie estava agarrada a uma almofada bege, de folhos dourados, de cabeça baixa, pensativa, sentada na cama de colcha igualmente bege e dourada, grande e fofa. O envelope e a carta estavam a um canto da divisão, no chão de madeira envernizada. Já haviam sido atirados, recolhidos e lidos de novo e novamente atirados, com fúria, pelo ar.

– Se calhar… e se mantivéssemos a calma, Annie? E se ligássemos a esse Greg?

– Não me digas para manter a calma, Magie. – Annie parou de andar e falou numa voz assustadoramente baixa e contida, como se estivesse de novo à beira das lágrimas. – Sabes perfeitamente o que significa para mim ouvir falar do Alex, mesmo sendo sete anos depois. Fiz tudo para esquecê-lo, a ele e à morte dele, e agora volta tudo para cima de mim como se não bastasse a consciência com que vivo todos os dias para me castigar.

– Pára com isso, Annie! Pensava que já era mais que tempo de compreenderes que a morte dele não foi culpa tua! Mas agora não é isso que está em questão. Telefonamos ou não a esse Greg? E quanto ao jantar, vamos ou não?

Ann permaneceu muda durante uns minutos, olhando para o chão. Magie não podia perceber o que se passava com todos os sentimentos contraditórios que a amiga tinha dentro dela, pois o cabelo ondulado, já seco, tapava-lhe a cara e tinha as mãos de punhos cerrados enfiadas nos bolsos do roupão de banho branco que vestira entretanto.   

– Não. E sim.

Magie virou-se, com a interrogação estampada no rosto, enquanto arrumava as garrafas de água que haviam sido deixadas em cima da mesinha de cabeceira.

– Não vamos telefonar ao tal cientista, mas vamos ao jantar. – Esclareceu, notoriamente mais calma.

– Muito bem. Parece-me uma decisão acertada. Mas… Annie? – Chamou Magda, subitamente muito séria. – Esta decisão não tem nada a ver com essa parvoíce de poderes salvar a vida do Alex, pois não? Sabes perfeitamente que isso não é possível, não sabes? – Perante um aceno de cabeça hesitante e afirmativo por parte de Ann, Magie suspirou. O olhar de Annie era o de uma criança que não acredita que não pode comprar o gelado da cor preferida. – Só tenho medo que cries expectativas sobre uma coisa que não pode acontecer. Podia ser pior para ti, ficarias de rastos ao aperceberes-te que não havia volta a dar. Acalma-te, por favor. Mantém a cabeça na terra, como é tão teu costume, e vamos a esse jantar sem esperar nada mais que as vulgares taças de champanhe e janotas metidos em fatos Armani elegantes, ok?

Ann conseguiu sorrir.

O que achas que vai aontecer no jantar? Achas que Ann vai conseguir manter a cabeça na terra, como Magie lhe pediu?


o que consta: ,

escrito por Palavreadora às 16:26
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