Escrevo mais para mim que para alguém em especial... porque me reconheço no que escrevo e porque escrever faz parte de mim
Quarta-feira, 12 de Setembro de 2007
O Jantar

      3 de Dezembro de 2013, 21h40

 

       Ann estava esplendorosa no longo vestido vermelho. Ela e Magie haviam conseguido fazer uma verdadeira transformação na face transtornada de Annie, tornando-a fresca e brilhante. O cabelo, preso com elegância por uns simples e grandes ganchos, caía em cachos juvenis nos ombros morenos descobertos.

       O rosto, com pouca maquilhagem, de modo a não exagerar a artificialidade da beleza natural de Ann, estava seco e um sorriso timidamente aberto mostrava a fileira de dentes perfeitos e brancos, combinado com destreza com acenos contidos para as objectivas das câmaras da insaciável imprensa, que rodeava a entrada do famoso hotel de 5 estrelas.

       As três grandes e ricamente decoradas salas, contíguas umas às outras, estavam repletas de mulheres, novas e velhas – todas muito ricas – nos seus melhores e mais vistosos vestidos de noite e de homens, novos e velhos – também todos eles muito ricos – nos seus mais belos e mais caros fatos de estilistas mundialmente conhecidos.

O jantar em si era refinadamente banal. Nas mesas compridas, com toalhas de damasco brancas, repousavam diversas travessas de prata repletas de especiarias e delícias ao gosto de todos. As pessoas circulavam elegantemente, com copos de champanhe na mão, mantendo as conversas de circunstância num tom agradável.

Ann circulava, igualmente. Mantendo um sorriso convincente, cumprimentava com leves acenos de cabeça e um aperto de mão firme e caloroso, tendo sempre o cuidado de não se afastar muito de Magie, a pedido desta. Ao que parecia, a amiga estava receosa que Annie se fixasse demasiado no conteúdo da carta que haviam recebido.

Magie tinha a sua razão. Desde que chegara que Annie procurva discreta mas ansiosamente, Aidan Kanishka, o anfitrião. Ansiava por lhe falar. E se a carta que recebera fosse verdadeira e pudesse realmente salvar a vida do Alex? Ann não sabia que relação podia haver entre ele e o indiano, mas tinha o pressentimento de que, se alguém a podia ajudar a reaver o amigo, esse alguém era Aidan.

 Abanando a cabeça, para se obrigar a si mesma a afastar esses pensamentos ridículos, Ann afastou-se das salas repletas de conversas e risos e atravessou o hall de entrada do hotel, dirigindo-se a uma saleta praticamente vazia, onde repousava um lindo e preto piano de cauda.

«Eu estou a ficar maluca. Tenho de me convencer a mim mesma da realidade. Alex morreu há sete anos e não há nada nem ninguém que o possa trazer de volta… Por muito que eu o queira.»

Ann sentou-se num cadeirão, num dos cantos da sala, onde permitiu à sua mente, pela segunda vez nesse dia, divagar pelas recordações da sua adolescência, tempos idos em que se considerava realmente feliz.

Cerca de 10 minutos depois, sentiu uma mão no seu ombro. Era uma mão quente e forte; Ann presumiu que fosse masculina. Suspirando, disse:

– Matt, eu sei que não falamos há dois dias, mas já te pedi ainda há um bocado para me deixares sozinha durante algum tempo. Estou extremamente cansada e andam a passar-se coisas que me tiram do sério e eu preciso de pensar, está bem? Mas sozinha.

A voz que ouviu, no entanto, não tinha nada a ver com a do seu noivo. Tinha um estranho sotaque e era mais grave e séria, mais velha e rouca, mais sábia. Ann virou-se e encarou, apanhada de surpresa, Aidan Kanishka.

– Precisamente por causa dessas… coisas… que se andam a passar, cara Ann, é que desejo falar consigo e com a sua amiga. Quem sabe se não podemos resolver todos os problemas que tanto a assustam. Incluindo, é claro, o problema relativo ao seu jovem amigo.

O que achas que o anfitrião indiano pode ter a ver com Alex?

 


o que consta: ,

escrito por Palavreadora às 14:30
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